
Ilustração: Andréa Tolaini
Encontros com a infância,
com o corpo, com o território
e com a natureza.
A infância não segue a lógica de linha de produção e não é apenas cronlógica (Kohan): a infância, assim como a floresta, não cresce de forma linear.
A infância não nasce do concreto e para crescer, ela necessita de memória e imaginação.
As crianças precisam de chão, do corpo em movimento e de contato e interação com o território e a natureza.
A infância é o elo com a ancestralidade e o sentimento de pertencimento.
A infância é a floresta que queremos bem viva.
O nome Cerejas do Mato se inspira na natureza e na biodiversidade, considera nela a nossa origem e identidade, pertencimento e referência ancestral e futura para vivermos e convivermos bem.
A inspiração tem nome popular de Cereja do Mato, Cereja da Terra e Cereja do Rio Grande, considerada Cerejeira Brasileira, é uma espécie nativa da Mata Atlântica da nossa região sudeste e sul.
Suas parentes são mais conhecidas entre nós, como a pitanga, jabuticaba e uvaia. Suas propriedades são nutritivas e medicinais, fortalecendo o organismo e o ecossistema local. Suas cores brincam em tons de vermelho, roxo e preto. Seu sabor é adocicado e levemente ácido.
Assim como a cereja do mato alimenta pássaros, atravessa gerações e ajuda a refazer a floresta, acreditamos que as infâncias também são capazes de regenerar o mundo ao seu redor a partir da novidade radical (Larrosa) que trazem desde o nascimento.
A criança é diversa, imprevisível, relacional e sensível ao ambiente. A cereja do mato cresce onde a vida persiste na solidariedade e no compartilhamento do que nutre: não é fruto da pressa e da demanda do mercado. É fruto da relação genuína e do reflorestamento de mentes, corpos e territórios.
O Cerejas do Mato nasce desse movimento-entendimento.
Em meio à cidade, onde o concreto endurece os passos, as folhas não caem na terra e esconde nossos rios, o tempo das telas ocupa o imaginário e o brincar das nossas crianças, criamos espaços e tempo de experiências educativas reais, onde a infância possa respirar a pureza da vida e aprender a colocar o coração no ritmo da terra (Ailton Krenak).
Acreditamos que toda criança é como uma pequena árvore em crescimento: precisa do chão da terra, da biodiversidade, da comunidade que interage e nutri, dos elementos da natureza, de vínculo, de tempo e de cuidado.
Por isso a necessidade vital de ocuparmos praças, parques e territórios vivos com encontros que nos convidam ao movimento intercultural comunitário, à escuta do corpo e à presença da natureza
Aqui, o corpo não é silenciado; é linguagem viva.
A natureza não é cenário; é encontro.
O território não é só passagem; é pertencimento.
O Cerejas do Mato deseja à infância, crianças e adolescentes que brincam, plantam, observam, criam, conversam, se emocionam, confiam em si e na sua comunidade.
E, ao fazer isso juntas, constroem algo em comum que não se compra: amorosidade, autoestima, autonomia, consciência crítica, criatividade, engajamento socioambiental e propósito de vida.
Mas para isso, precisam de um cotidiano que as conecte com a infância, com o corpo, o territío, a comunidade e com a natureza.
O Cerejas do Mato é um convite para a comunidade: vamos cuidar das nossas crianças e adolescentes em dinâmicas e relações que afirmem o bem conviver com a natureza e a diversidade cultural.
Porque cuidar da infância é também cuidar da terra, da natureza, das pessoas, do território e do covívio comunitário.




Elaine Silva
Educadora e idealizadora do Cerejas do Mato


